Inteligências Múltiplas: como estimular?

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Howard Gardner e a Teoria das Múltiplas Inteligências

O psicólogo norte-americano Howard Gardner tornou-se conhecido mundialmente ao apresentar, em 1982, sua teoria das Múltiplas Inteligências, que contestava os modelos clássicos da época para a medição do Quoeficiente de Inteligência. Para Gardner, o famoso teste de Q.I não poderia servir como base para mensurar e definir se uma pessoa é inteligente ou não.

Segundo o pesquisador, possuímos de oito a nove tipos de inteligências diferentes, algumas desenvolvidas e outras não. Entretanto, isso não significa que não sejamos pessoas perfeitamente normais ou inteligentes.

Em outras palavras para o psicólogo, o termo “inteligência”, como ainda é usado pode denotar limitação de capacidades quando considerado sob a ótica daquele que dispõe de um tipo de inteligência para o aprendizado escolar, como o de novas línguas, por exemplo.

O que Gardner enfatiza é o desenvolvimento de habilidades e capacidades, além das escolásticas e que de modo geral podem evidenciar qualidades e competências do ser humano, que hoje ficam limitadas pelo senso comum da avaliação de QI.

Leonardo Da Vinci – O Gênio das Múltiplas Inteligências

O italiano Leonardo da Vinci, conhecido e admirado em todo mundo, é considerado um dos maiores gênios de todos os tempos e ainda hoje é um caso raro do desenvolvimento das múltiplas habilidades.

Neste sentido o desenvolvimento de suas múltiplas inteligências possibilitou a Da Vinci realmente ser diferenciado, notado e reconhecido até hoje como exímio: cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e também músico.

Quais são as áreas e como estimular as inteligências? 

Inteligência Linguística
Características Atividades para estimular
Capacidade de usar as palavras de forma efetiva, seja verbalmente ou pela escrita;  inclui a capacidade de manipular a sintaxe, a semântica e as dimensões pragmáticas. Para estimular essa inteligência, desenvolva atividades como contação de histórias, produção de trechos de histórias iniciadas por colegas, transformação de um gênero para outro, por exemplo adaptar uma fábula para uma peça de teatro, trava-línguas, palavras-cruzadas. As crianças precisam ouvir muitas palavras novas, participar de conversas estimulantes, construir com palavras imagens, aprender uma língua estrangeira, trabalhar jogos de memória com nomes locais, discutir, ler e escrever histórias, fazer malabarismo com vocabulário, entrevistar, fazer quebra-cabeças, jogos de soletração, integrar redação e leitura com outras áreas de assuntos, produzir, editar e supervisionar revista ou jornal da escola.
Inteligência Lógico-Matemática
Características Atividades para estimular
 Capacidade de usar os números de forma efetiva, raciocinar bem, inclui sensibilidade a padrões e relacionamentos lógicos, funções e outras abstrações relacionadas. Uso jogos de raciocínio e estratégia como xadrez, dominó, cubo mágico, sudoku, resolução de enigmas lógicos. Também brinquedos de desmontar e montar, bem como  encaixar peças. Estimular a resolução de problemas e jogos matemáticos. Incentivar a interpretação de dados. Estimular as próprias potencialidades. Utilizar experimentos práticos e previsões. Integrar organização e matemática em outras áreas curriculares. Ter um lugar para tudo. Possibilitar a realização das coisas passo a passo. Usar raciocínio dedutivo.
Inteligência Visuo-Espacial
Características Atividades para estimular
Capacidade de perceber com precisão o mundo visual espacial, e de realizar transformações sobre essas percepções, envolve sensibilidade a cor, linha, forma, configurações e espaço, e às relações existentes entre eles. Inclui a capacidade de representar graficamente ideias visuais e de orientar-se em uma matriz espacial. Brinquedos como lego de montar e encaixar, origami, tétris; atividades de desenho, como copiar objetos reais para o papel, esculpir materiais. organização dos próprios brinquedos em espaço determinado  Ensinar técnicas de estudo visuais, como, por exemplo, a utilização de sublinhados coloridos ou a elaboração de mapas de ideias, gráficos ou esquemas.
Inteligência Musical
Características Atividades para estimular
Capacidade de perceber, discriminar, transformar e expressar formas musicais. Inclui sensibilidade ao ritmo, tom ou melodia, e timbre de uma peça musical.  Para estimular essa inteligência, trabalhe a construção de brinquedos musicais com materiais do dia-a-dia, como panelas, copos, lápis e tudo o mais, usando-os para desenvolver ritmos e melodias, imitar diferentes sons com a própria voz. Tocar um instrumento musical.  Trabalhar com música. Aprender através de canções, de poemas com rima. Ligar-se a um coral ou a um grupo musical. Escrever música. Integrar música com assuntos de outras áreas. Usar música para relaxar.
Inteligência Cinestésica
Características Atividades para estimular
Capacidade em usar o corpo para expressar ideias e sentimentos. Facilidade no uso das mãos, para produzir ou transformar coisas. Inclui habilidades físicas específicas tais como: coordenação, equilíbrio, força, destreza, flexibilidade e velocidade. Jogos como mímica, brincar de sério; atividades como cerâmica, dança, teatro e esportes em geral ajudam nessa inteligência.Integrar o movimento em todas as áreas do currículo. Usar a dança, o movimento, os jogos e as técnicas manipulativas para aprender. Fazer mudanças na sala a intervalos frequentes. Relacionar movimentos aos conteúdos de estudo. Usar o corpo para se concentrar e relaxar. Fazer viagens. Utilizar teatro.
Inteligência Interpessoal
Características Atividades para estimular
Capacidade de perceber e fazer distinções no humor, intenções, motivações e sentimentos das outras pessoas, influenciam um grupo de pessoas para que sigam, certa linha de ação. Pode-se trabalhar atividades de revezamento ou equipe, onde um tem que esperar e depende da atividade do outro para poder fazer a sua, como revezamento em natação, futebol. Ensinar algo a outra pessoa também é uma ótima tarefa, como ajudar alguém a corrigir os próprios deveres de casa. Desenvolver a cooperação, tutelar ou orientar os outros, fazer diversos intervalos para socializar, trabalhar em equipes, integrar a socialização em todas as partes do currículo, usar causa e efeito, ter festas e celebrações de aprendizagem.
Inteligência Intrapessoal
Características Atividades para estimular
Autoconhecimento e a capacidade de agir adaptativamente com base neste conhecimento. Solicitar à criança que faça desenhos dela mesma no presente, passado e futuro; observar fotos e tentar lembrar porque estava com tal expressão na foto; peça que escolha músicas de acordo como se sente; Ter conversas pessoais de “coração para coração”, usar atividades de crescimento pessoal para romper bloqueios à aprendizagem, reservar tempo para reflexão interior: “pense e ouça”,  fazer estudo independente,  ouvir sua intuição, discutir, refletir ou escrever o que vivenciou e como se sentiu,  permitir a individuação,  fazer diários de história pessoal – histórias da família, assumir o controle da própria aprendizagem, Ensinar afirmações pessoais,  ensinar questionando – quem? Quando?
Inteligência Naturalista
Características Atividades para estimular
Capacidade no reconhecimento e classificação das numerosas espécies – a flora e a fauna – do meio ambiente do indivíduo. Inclui também sensibilidade a outros fenômenos naturais, como formação de nuvens e montanhas. Cultivar uma horta, acompanhar o desenvolvimento de um animal ou planta. Ter aulas ao ar livre. Comparar diferentes tipos de plantas, observando suas semelhanças e diferenças.

Viajar para conhecer os diferentes ecossistemas. Plantar, colher e produzir alimentos.  Cuidar de animais. Garimpar e consumir produtos ecológicos ou orgânicos. Pesquisar e preparar receitas naturalistas.

Também sempre devemos levar em conta que existem diversos estilos de aprendizagem e tempo máximo de atenção em determinada atividade, por isso o planejamento da aula deve contemplar as diferentes formas de aprender, procurando variar as mesmas, proporcionando assim que os alunos consigam maior tempo de atenção.

Estilo Auditivo

Alunos com este estilo serão capazes de se lembrar do que eles ouvem e preferem instruções orais. Eles aprendem ouvindo e falando. Estes alunos gostam de conversar e entrevistar. Eles são leitores fonéticos, que gostam de leitura oral, leitura em coro e de ouvir livros falados. Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para:

  • Entrevistar, debater
  • Participar em um painel de discussão
  • Apresentar relatórios oralmente
  • Participar em debates sobre material escrito

Estilo Visual

Alunos com este estilo serão capazes de se lembrar do que veem e preferem instruções escritas. Estes alunos são leitores visuais, que gostam de ler em silêncio.

Melhor ainda, gostam de receber informações por meios visuais como, por exemplo, fitas de vídeo, DVD. Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para trabalharem com:

  • Gráficos de computação
  • Mapas, gráficos, tabelas
  • Histórias em quadrinhos
  • Cartazes
  • Diagramas, desenhos
  • Recursos para organizar gráficos
  • Textos com muitas figuras

Estilo Tátil

Alunos com este estilo aprendem melhor tocando em coisas. Eles compreendem instruções que eles escrevam e aprenderão melhor através de manipulações. Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para eles:

  • Desenharem
  • Jogarem jogos de tabuleiro
  • Construírem diagramas
  • Construírem modelos (com vários materiais)
  • Seguirem instruções para fazer alguma coisa

Estilo Cinestésico

Alunos com este estilo também aprendem tocando e manipulando objetos. Eles têm a necessidade de envolver o corpo todo na aprendizagem. Eles se lembram melhor do conteúdo das aulas se eles o expressarem em ações. Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para:

  • Jogarem jogos que envolvam o corpo todo
  • Fazerem atividades de movimento
  • Construírem modelos
  • Seguirem instruções para fazer alguma coisa
  • Realizarem experimentos

Referências:

ARMSTRONG, Thomas. Inteligências múltiplas na sala de aula. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.

ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação de múltiplas inteligências. Petrópolis: Ed. Vozes, 1998.

GARDNER, Howard. Inteligência: um conceito reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

GARDNER, H; KORNHABER, M e WAKE, K. Inteligência: Múltiplas Perspectivas. Porto Alegre: ArtMed, 1998.

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