Parquinho: A academia da criança

Brincar nem sempre significa só diversão. Desde bebês, as crianças passam por contínuos processos de aprendizagem e de desenvolvimento enquanto brincam. Uma das atividades consideradas fundamentais por professores de educação física e psicólogos é a brincadeira no parquinho.

Parquinhos básicos com escorregador, balanço, gangorra, cordas para se pendurar fazem um bem danado aos pequenos. Com formação em Educação Física e dona da rede de pilates, Ivana Henn afirma que os parquinhos são aparelhos funcionais, porque mexem com o corpo todo e agem em aspectos diferentes. Um único brinquedo pode trabalhar flexibilidade, equilíbrio e força.

– Além de divertir, o parque é uma atividade completa. Hoje, nas academias, temos muitas aulas que simulam brincadeiras de parque, como a aula com suspensão, por exemplo, que nada mais é do que a corda para se pendurar que existe nas casinhas do parque – afirma.

Para ela, mãe de duas crianças, de dois e cinco anos, o ideal seria levar a criança diariamente ao parque:

– Se não der, leve o máximo de vezes que você conseguir.

A funcionária pública Karina Speck, 34 anos, se esforça para levar a filha Clara Speck de Oliveira, três anos, pelo menos duas vezes por semana ao parque. Os resultados são visíveis:

– A partir de um ano, comecei a levar. No começo, ela tinha nojo da areia, tinha medo. Hoje ela pede para vir ao parque. Faz amigos. É nítido o desenvolvimento e a coordenação motora dela. A gente mora em apartamento, por isso não abro mão de trazê-la – conta a mãe.

Ivana Henn lembra que antigamente as crianças brincavam na rua, moravam em casa – muitas vezes com jardim. Hoje, boa parte mora em apartamento, os pais estão sempre com pouco tempo, e as brincadeiras migraram para atividades como ver TV.

– As crianças perdem a oportunidade de desenvolver coordenação motora, equilíbrio, flexibilidade, consciência corporal – coisas que a gente desenvolvia naturalmente no passado. O parque simula o dia a dia. A criança ganha consciência corporal, aprende a se equilibrar e a mover seu corpo para se proteger em uma queda – comenta.

Há ainda a saúde psicológica:

– O mais importante é o da inter-relação. A criança conhece outras crianças, aprende a negociar espaços, é obrigada a aceitar o limite imposto pelo outro. Parque é fundamental para crianças – diz Paula Ferro Kalafatas, terapeuta familiar.

Paula destaca outros benefícios, como o desenvolvimento de autoestima, liberdade, autoconfiança e coragem para superar medos.

Quando ir:

:: Bebês até dois anos – importante para começarem a explorar espaços, entrar em contato com areia, brincar no chão. Tempo de parque: cerca de meia hora.

:: Dois a sete anos – essencial nessa faixa etária. Com acompanhamento dos pais, que devem segurá-los pela mão e encorajá-los. Aos poucos, a criança se solta, e os pais devem perceber o alcance da autoconfiança do filho e permitir que brinque sozinho. Tempo de parque: uma hora ou mais, depende da criança, se está cansada.

Por que ir:

:: Desenvolve a criatividade

:: Demonstra os interesses da criança

:: Externa as angústias dela

:: Estimula a comunicação

:: Exercita o corpo

:: É prazeroso para a criança

Os brinquedos e suas funções

– Corda e cano para escorregar: esses equipamentos ensinam a controlar o próprio corpo, conhecer seu peso e suportá-lo. Trabalha a força de sustentação do corpo inteiro, pois a criança tem que enroscar braços e pernas para descer. A corda é boa para aprender a lidar com instabilidade e a buscar o equilíbrio.

– Pneus e redes de corrente para subir: os dois brinquedos trabalham flexibilidade, alongamento das pernas e a base de apoios dos pés. Também desenvolvem o raciocínio e a coordenação motora ao obrigar a criança a buscar a melhor forma de subir. As correntes, pelo caráter instável, são ainda mais importantes para o equilíbrio.

– Escorregador: importante para a criança trabalhar posicionamento do espaço, para aprender a superar o medo e aprender a cair.

– Balanço: é a total falta de referência. Não há o apoio fixo do chão. Trabalha muito segurança emocional e física, equilíbrio, coordenação motora para aprender a se balançar sozinho e o controle do próprio corpo.

– Gangorra: promove fortalecimento das pernas e ensina a administrar a própria força em parceria com o amigo. Aqui, a inter-relação é bem importante, pois a brincadeira só acontece na parceria, que precisa ser negociada e administrada para chegar ao tempo e intensidade dos movimentos ideais.

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