ARTIGO: Letramento e hipóteses da escrita por Emília Ferreiro

Letrar é muito mais do que ensinar que “B+A = BA”, entre outras infinitas técnicas gramaticais e linguísticas. O letramento é um processo de aprendizagem para a compreensão, avaliação e apreciação da escrita e da leitura; é se aprofundar nos assuntos e inseri-los em seu universo intelectual.
Esse aprendizado não é único e exclusivo para as crianças, afinal, existem pessoas alfabetizadas com dificuldade de entendimento e interpretação das técnicas de escrita e da leitura. Assim, o letramento pode ser um aprendizado tanto para os filhos quanto para os pais.

Como aplicar a técnica
O processo de alfabetização e letramento compreende, basicamente, três períodos: descobrir a escrita, aprender a escrita e usar a escrita.
O primeiro processo envolve os primeiros contatos com os livros e outros meios para a criança criar interesse na leitura. O segundo está ligado diretamente à alfabetização em geral, e o terceiro é onde entra o letramento, o uso da escrita.
Muitas pessoas ficam presas no segundo período, pois acham que já é o suficiente para se comunicar bem nas diversas situações do dia a dia. Isso, entretanto, é um pensamento precipitado.
Os livros são os grandes aliados para atividades de alfabetização e letramento. A prática, nesse caso, é tudo. Com o hábito da leitura, a criança é capaz de desenvolver seu senso crítico e aplicá-lo constantemente para tomar decisões, participar de conversas… Enfim, conviver em sociedade. O letramento é isso: usar e praticar frequentemente a leitura e a escrita.

Por que o letramento é importante?
Ser letrado é essencial para se comunicar bem em sociedade e compreender os diferentes contextos sociais nos quais somos inseridos – principalmente para crianças, que têm o futuro nas mãos. Interpretar é a chave para o conhecimento, e cabe principalmente à família, com a ajuda da escola, o papel de estimular as crianças.
Entre as diversas ferramentas que podem contribuir para a alfabetização das crianças está o livro infantil. A literatura é capaz de apresentar as letras e palavras de forma leve, natural e lúdica, antes mesmo deste processo se iniciar.

A importância do processo de leitura e escrita
O processo de alfabetização inicia-se desde cedo desde os primeiros contatos da criança com o mundo. É um processo contínuo, permanente, que se alarga à medida em que a criança se lança no contexto sociocultural, adquirindo conhecimentos acerca do que a rodeia.
Brincadeiras, jogos, histórias ouvidas e materiais diversos usados em suas vivências diárias propiciam situações que favorecem a aprendizagem e a organização lógica do pensamento.
Em nossa sociedade, a escrita desempenha um papel fundamental. Está em toda parte, e precisamos dela nas mais diferentes situações da vida. Além disso, numa sociedade em que quase tudo passa pela escrita, a alfabetização é essencial para uma melhor compreensão da realidade.        Na aprendizagem da leitura e da escrita, a criança percorre um caminho individual e próprio. À medida em que está em contato com materiais de leitura, tais como rótulos, embalagens, cartazes, livros, revistas, etc, ela está, sobretudo, iniciando o seu processo de descoberta do código escrito.
Dessa forma, quando a criança entra na escola, traz uma série de experiências e conhecimentos sobre a leitura e a escrita. Porém, sua compreensão é ainda muito restrita, necessitando da intervenção do professor para que possa ampliar seu universo em torno do símbolo escrito.
É no 1º ano do Ensino Fundamental que se inicia a sistematização do processo de alfabetização. Nisso, a criança passa a compreender o funcionamento do código escrito. Em nossa escola, essa compreensão acontece a partir da exploração do sentido das palavras encontradas nos textos-base trabalhados na sala de aula. Em cada texto, são escolhidas as palavras-base e, a partir de jogos com letras e sílabas, novos fonemas poderão ser inseridos, desdobrando-se e criando outras palavras.
Através dos procedimentos didáticos realizados em sala de aula, são “desenvolvidas as capacidades diversas relativas ao funcionamento do sistema alfabético ortográfico, ao uso geral da escrita e à compreensão dos textos, que se constitui na meta principal do ensino da leitura”.
No decorrer do processo de alfabetização, a criança escreve, lê e constrói seus conhecimentos. Enquanto aprende, testa suas hipóteses ora arriscando, ora errando ou acertando.    Deve-se conhecer e respeitar o desenvolvimento da criança oferecendo-lhe ajuda, explicitando informações desconhecidas, valorizando seus conhecimentos e favorecendo deduções pertinentes.     Enfim, o importante é não inibi-la em seu processo de descoberta.

Conheça os níveis de alfabetização
Emília Ferreiro é uma das maiores influências brasileiras para educadores e toda comunidade escolar quando se trata de níveis de alfabetização.
Segundo Emília, a construção do conhecimento da leitura e da escrita tem uma lógica individual, embora aberta à interação social, na escola ou fora dela.
No processo, a criança passa por etapas, com avanços e recuos, até se apossar do código linguístico e dominá-lo.
De acordo com a teoria da Psicogênese da língua e da escrita, toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada. São elas:

PRÉ-SILÁBICO
Neste primeiro nível, a criança começa perceber que a escrita representa aquilo que é falado. Ela tenta se aventurar pela escrita e por meio da reprodução de rabiscos e desenhos. Ainda não consegue relacionar as letras, com os sons da língua falada.

 

SILÁBICO
Nesse nível a criança começa a perceber a correspondência entre as letras daquilo que é falado. Interpreta a letra a sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada uma, cada sílaba representa uma letra.

SILÁBICO-ALFABÉTICO
Começa a compreender que as sílabas possuem mais que uma letra (fará a transição de ora utilizar uma letra para cada sílaba, ora reconhecer os demais fonemas das palavras e passar a empregá-los). Mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas.

 

ALFABÉTICO
Última hipótese relacionada a alfabetização. Já consegue reproduzir adequadamente todos os fonemas de uma palavra, caracterizando a escrita convencional. Domina, enfim, o valor das letras e sílabas.

 

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